Monthly Archives: Janeiro 2009

Coisas interessantíssimas

Hoje foi um senhor à TV afirmar que não votou no sobrinho nas eleições de 2005 e que esse sobrinho é tratado por “Zézito” pela família. E foi isto.

O “Jornal Nacional de Sexta” é um momento fora-de-série da nossa TV.

Outra coisa de elevado interesse foi ficar a saber que pode existir uma ligação entre a nova lei do divórcio e o aumento da pobreza, tal como anunciado por um tipo importante perante uma pitoresca audiência ali para os lados de Ourém.

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Hendrix dá um baile de música a banda nazi

Amanhã, sábado, nazis de todo o mundo vão-se reunir em Lisboa para comemorar o 4º aniversário da Portuguese HammerSkin Nation, fundada por Mário Machado. Uns tipos carecas conhecidos como serem a nata do profissionalismo violento da extrema-direita. São tipos que se divertem a organizar concertos sobre a supremacia branca, ainda que nenhuma banda seja tão boa quanto o Jimi Hendrix.

Claro que poderia continuar com a conversa de “porque é que uma banda de hatecore racista é pior que o Hendrix”, mas parece-me ser bastante óbvio. Claro que se a sua música fosse o meu único problema estava eu muito bem, porque Hendrix é bem melhor.

Os problemas desta organização são outros: agressões, espancamentos e homicídios a não carecas brancos. E não é uma coisita ou outra, falamos daquela que é a organização skinhead de extrema-direita mais forte, organizada e perigosa de todas nos EUA – ainda que estejam com vários problemas internos.

Não deixa de ser estranho que a polícia portuguesa esteja preocupada com outra coisa. Está preocupada que a extrema-esquerda caia na tentação de ir provocar a facharia. Um gangue perigoso, que ataca imigrantes só porque os acham feios (entre outras coisas) vem cá fazer uma festa, e a polícia preocupa-se se eles serão provocados por quem se possa indignar com essa palhaçada. E quem se indigna é uma só coisa: de extrema-esquerda. Como é de extrema-esquerda quem se indigna quando um jovem de 14 anos é abatido a tiro na nuca a 10cm de distância.

Quando os rapadinhos dos martelos começarem a fazer uma caça às bruxas no Cais do Sodré a culpa também deve ser a “extrema-esquerda”.

Nota: os HammerSkins têm um outro grave problema, foram roubar o símbolo ao The Wall dos Pink Floyd.

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Thou shall not steal

Ver o original no jornal Mudar de Vida.

Vinho roubado

O embaixador israelita na Grécia enviou em Dezembro a Theodoros Pangalos, deputado grego, três garrafas de vinho de boas-festas. Pangalos devolveu-as dizendo: “Reparei que o vinho que me enviou foi produzido nos Montes Golã. Desde criança ensinaram-me a não roubar e a não aceitar coisas roubadas. Não posso, pois, aceitar o presente e tenho de devolvê-lo. O seu país ocupa ilegalmente os Montes Golã que pertencem à Síria, de acordo com a lei internacional. Espero que Israel encontre segurança dentro das suas fronteiras internacionalmente reconhecidas, mas também espero que o seu governo cesse de praticar a política de punição colectiva aplicada em escala maciça por Hitler e os seus exércitos”

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A vítima

Admito que sou um coração-mole. Como tal, é-me impossível não sentir compaixão para com o nosso Primeiro-Ministro.

Não há dúvidas de uma coisa: este “caso Freeport” pode caír que nem um luva a Sócrates e à sua máquina propagandística, sábios como são em revirar as notícias mais adversas, apontando a “má-fé” dos denunciantes, que só querem é fazer “ataques pessoais”. Podemos supor que os Ingleses devem querer depôr este primeiro-ministro, quiçá para poderem anexar este país à Commonwealth.

De resto, esta começa a ser a tónica de Sócrates e da sua máquina, escudar-se em ataques a todos e mais alguns, particularmente às empresas de Comunicação (notável o “como é que sabe??” dirigido a um dos jornalistas que o interpelou), usando o truque da cabala e zombando, qual herói da BD, que será “preciso muito mais” para “o derrotar” e arvorando-se num Cristo que percorre uma via-sacra repleta de inimigos, em direcção à salvação do país.

O Goebbels de serviço, o inenarrável Canas, veio enaltecer a “firmeza” e a “clareza” do Líder. Não se compreende onde está a clareza. Sócrates limitou-se a repetir-se, sem responder a nada de significativo e reafirmando a sua condição de “vítima” de uma “campanha negra”.

A vitimização é um recurso típico de quem se sente numa posição inferior, de quem sabe que a qualquer momento pode ter que ceder à verdade dos factos. Não sabemos, ainda, qual é a verdade e qual é a implicação de Sócrates nessa verdade. Mas sabemos que ele já se está a defender como se viesse aí o ataque final.

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Islândia

A crise do Capitalismo quando nasce é para todos. E esta mais do que qualquer outra anterior.

A Islândia, o  país modelo do Capitalismo e que ocupa o primeiro lugar na tabela do Índice de Desenvolvimento Humano – o que acontece desde 2005 -, vive por estes dias uma profunda convulsão social, que levou o primeiro-ministro Geir Haarde  e toda a ala-direita do governo da coligação  Partido da Independência/Aliança Social-Democrata a apresentar a demissão das suas funções. A “Esquerda” está agora encarregue de formar um Governo, minoritário, de coligação entre a Aliança Social-Democrata e o Movimento de Esquerda-Verde. Este novo Executivo assumirá funções meramente transitórias, já que foram convocadas eleições para Maio.

Sem muito para contar no que toca a lutas sociais na Islândia (para termos ideia basta dizer que a polícia de choque não usava gás-lacrimogéneo em manifestações há 60 anos) este fenómeno acaba por ser significativo. Um movimento de massas que tem passado quase despercebido nos media forçou o colapso de um governo e com bastante menos violência do que no caso da Grécia, onde pouco ou nada se tem conseguido. Será isto positivo? Sem dúvidas, mas é preciso abordar com cuidado este caso.

Ao deixar o governo entregue a uma coligação de Centro-Esquerda entre Sociais-Democratas e Verdes até às eleições em Maio, a Burguesia aborda uma táctica defensiva. Cede a uma das exigências políticas das massas populares, retira do governo a parte mais exposta ao descontentamento da população e convoca eleições, deixando a “Esquerda” governar até lá. Com isto consegue acalmar o movimento de protesto e ganhar tempo para preparar a futura coligação de Governo, que provavelmente será entre os Sociais-Democratas e o Partido Progressista, da Direita Liberal. Esta é também uma forma de tentar capitalizar para a Direita Conservadora a insatisfação das massas que não parece que vá diminuir, em função do agravamento da crise do Capitalismo internacional.

A Islândia, por ser uma sociedade quase colegial, é um daqueles países que praticamente não tem qualquer organização revolucionária. No actual movimento de luta têm participado grupos de estudantes mais radicalizados e de alguns operários mais esclarecidos, ligados a pequenas organizações Anarquistas ou ao quase inexistente partido Comunista, a trotskista Liga Comunista. Porém estes elementos revolucionários são pouco mais que anexos ao movimento, impulsionado pelas confederações sindicais do país, a ASÍ e a BSRB, cada uma mais amarela que a outra. Perante este panorama pouco animador para a luta revolucionária, parece surpreendente a “vitória” alcançada pelas massas. Contudo, se analisarmos um pouco a tradição da luta de classes nos países Nórdicos, observamos que não é de todo uma surpresa que um Governo se demita após umas quantas manifestações massivas. Na verdade as organizações de massas como os Sindicatos ou os partidos de Esquerda, no Norte da Europa, têm uma história longa de colaboração com a Burguesia, reflexo de uma cultura social marcada pela tolerância e conciliação. Essa cultura reflecte-se naturalmente nos comportamentos da Burguesia que, sem ceder um milímetro quanto aos seus objectivos de classe, parece ceder kilómetros às pretensões do Trabalho.

Se durante várias décadas teríamos que ter tacto ao partir para a crítica a este reformismo descarado por culpa dos resultados menos maus para os trabalhadores que ele ia conseguindo, nos dias de hoje e no futuro poderemos apontar este inegável defeito como causador da degradação das condições de vida da classe trabalhadora Nórdica.

O caso Islandês, porém, não é tão semelhante assim aos outros países Nórdicos, no que toca a políticas económicas. As privatizações e liberalização do mercado neste país chegaram a um ponto muito superior em relação aos Escandinavos, e prova disso é o próprio gatilho da crise económica nacional, que foi a total subordinação dos bancos Islandeses ao Capital Britânico. Este processo de total restauração Capitalista ocorria já há cerca de duas décadas. Ainda assim, a classe operária não soube ver nisso um problema e não se soube armar correctamente para os confrontos que, inevitavelmente, se iriam seguir. Deixando os seus Sindicatos nas mãos de elementos reformistas, os operários Islandeses (que representam mais de 20% da população nacional) hipotecaram-se, chegando agora a esta encruzilhada. A classe operária e todos os trabalhadores Islandeses são reféns da Burguesia e movimentam-se ao sabor das guerras partidárias desta.

Pode objectar-se a isto o alegado facto de que os trabalhadores Nórdicos no geral, e os Islandeses em particular, não têm organizações verdadeiramente representativas dos seus interesses e ambições, organizações revolucionárias Marxistas-Leninistas, porque nunca delas haviam precisado. Aceite-se. Mas contraponha-se com uma questão: como pode a classe operária, classe revolucionária por definição, defender-se a si mesma quando entrega essa função à pequena-burguesia, classe objectivamente inimiga? Não deveria poder mas o facto é que  aconteceu. Interessa agora inverter a situação. Reactivar urgentemente o Partido Comunista, conferir-lhe uma orientação revolucionária e de vanguarda para que se lance no combate, esta é a imediata  tarefa que toca aos operários Islandeses, para que se desliguem de um quadro político totalmente adverso.

A Europa está a viver uma situação nova. Pela primeira vez na sua História recente existem movimentações de massas em praticamente todos os países, movimentações com o mesmo sentido e objectivo. E quando a primeira “vítima política” desta nova situação é o governo de um país quase idílico como a Islândia, é sinal de que alguma coisa está a nascer.

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Estabelecimento Superior

As universidades, faculdades, escolas superiores e coisas tais seriam bons nichos de actividade política, social e cultural. Locais onde se discute, se debate e se pensa seriam grandes impulsionadores de novas movimentações e de novas formas de vida. Mudanças na vida, no fundo.

Mas não. Os estabelecimentos do ensino superior não passam disso mesmo, estabelecimentos onde se vendem ensinamentos estabelecidos. Ensinamentos decorados que servem para angariar um diploma, que por sua vez serve para o colocar num CV, que nos venderá no competitivo mercado do trabalho.

Isto tudo não é nada de novo. Já se sabe, as faculdades andam às moscas. As festividades abrem com as praxes, uma espécie de bullying estabelecido, ritual de iniciação de demonstração de proezas alcoólicas e sexuais (e a sorte dos praxístas é nunca terem que ter competido comigo, coitados). No meio disso tudo, rebaixa-se o puto mais novo e que sabe menos, que ainda vem com os inúteis conhecimentos do secundário frescos na memória. Coisa que não pode ser, pois claro, não estivéssemos num glorioso estabelecimento do ensino superior, seja ele qual for.

O problema é esse. Tudo se resume à entrada nas aulas, uma conversa sobre <inserir conteúdo aqui>, à saída onde se corre para uma senha de almoço, uma nova entrada com conteúdos semelhantes, e novamente uma saída com outro destino. A escola, neste processo todo, está vazia.

Ainda há uns que se esforçam para marcar actividades. Eleições para as Associações de Estudantes, Reuniões Gerais de Alunos e masturbações semelhantes. Entram na mesma inutilidade do resto: nada se discute, nada se cria. É o início da mais que conhecida máxima: são todos iguais. E são.

Entrar numa escola é assustador. Vejo o rebanho seguir a mesma tendência, que não é nenhuma.

E num texto sobre o ensino superior repito demasiadas vezes os derivados de “estabelecido”. É a inovação, caralho!

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Conversas Fora da Estrada

Sobre isto, na Casa do Brasil, organizado pelo GAFFE.

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