Dia Mundial dos despedimentos

De acordo com as notícias de hoje, em todo o Mundo mais de 70 mil trabalhadores ficaram ontem a saber que vão ficar desempregados, devido à “redução de despesas” e à “reestruturação” levada a cabo por várias empresas, algumas delas altamente conceituadas nos seus ramos, como a fabricante Estado-Unidense de maquinaria de construção Caterpillar (com o record de 20.ooo despedimentos) ou o gigante Holandês de electrónica Philips, que pontapeia no traseiro 6.ooo dos seus operários, 70 dos quais em Portugal, fechando assim a sua última fábrica por cá,  sita no concelho de Ovar. O encerramento da unidade irá ocorrer ainda durante este ano.

Trabalhadores de várias outras empresas de renome estão também nesta situação: o mastodonte da indústria automóvel General Motors (mais de 2.000 despedimentos); o terceiro maior operador móvel Estado-Unidense, a Sprint Nextel, contemplou 8.000 almas com uma guia de marcha (equivalentes a uns impressionantes 14% da sua força de trabalho)  e por aí fora, numa lista que engloba ainda empresas do sector financeiro.

Naturalmente, por entre as desculpas do costume da “crise” e da “conjuntura”, lá vamos encontrando algumas migalhas da verdade por detrás do sistema, a verdade denunciada por Marx e continuamente enxovalhada pelos defensores do Capitalismo. Vejamos: de acordo com o comunicado oficial da Caterpillar, a decisão de tirar o sustento a 20.000 dos seus 113.000 trabalhadores tem um carácter preventivo, como forma de poder durante este ano atingir o objectivo de lucro de 2.5 dólares por acção (actualmente está em 1.08 dólares). Isto é, o problema da empresa não está em ter liquidez para remunerar os seus operários, mas sim meramente para atingir uma meta de lucro, lucro esse que irá parar apenas aos bolsos dos seus administradores e accionistas.

Mas há uma agravante em tudo isto: 70.000 desempregados representa um encargo social enorme, e representa mais uma vez que o Liberalismo é a maior farsa da História recente. Estes 70.000 seres-humanos estarão, caso a situação não sofra uma reviravolta, a viver um determinado período de tempo à custa dos subsídios de desemprego garantidos pelos dinheiros públicos, enquanto as empresas que os despediram se “reestruturam”, para quando fôr possível abrirem novamente as suas fábricas aos operários desempregados, retomando assim o ciclo produtivo Capitalista. Ou seja, o Estado mais uma vez paga a incompetência dos Capitalistas, fornecendo-lhes todas as benesses para a sua insasiável busca pela obtenção do máximo lucro.

A situação actual do sistema Capitalista, reflexo da crise endémica de que sofre desde 1929, abre brechas ao mundo do trabalho para enfrentar impiedosamente os exploradores, numa situação como provavelmente nunca se terá visto no passado. Mesmo quando em plena Grande Depressão as secções da Comintern adoptavam a táctica de classe contra classe a situação não era tão favorável a uma luta consequente e encarniçada como poderá vir a ser no futuro. A razão é simples: provou-se, com a situação actual, que o Capitalismo não tem mais para onde evoluir. Os primeiros passos dados em direcção à brutal utopia do laissez-faire, aos quais chamamos neo-liberalismo, provaram que a intervenção do Estado é indispensável à manutenção do sistema, deitando assim por terra as teorias da mão invisível.

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Filed under capitalismo, igor marques, trabalhadores

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