Kosovo – um ano de fantochada

Fantochada não só pela paródia que foi (e há-de continuar a ser) o processo de secessão da província Sérvia do Kosovo, mas fantochada também (e principalmente) o pseudo-Estado criado nos Balcãs, autêntica marioneta ao serviço do Imperialismo Estado-Unidense e do Imperialismozinho de Bruxelas.

Para além da ilegalidade da secessão, é importante referir que o Kosovo é historicamente parte integrante da Sérvia desde o século XI (o que é mais do que a existência de Portugal), não havendo qualquer razão ou justificação para a sua separação.

Tudo faz parte de uma lógica Imperialista, com o regime de Washington a querer abrir um corredor de aliados desde a Dalmácia até à ponta sul da Trácia, depois de terem apoiado a desagregação da Jugoslávia e a criação de Estados etnicamente puros na zona. O mesmo regime de Washington que tinha já o Kosovo dentro dos seus domínios. Actualmente, o Império tem duas bases militares activas na região.

Além disso, a separação do Kosovo tem ainda outra ideia por trás: com a Albânia a candidatar-se a membro da NATO, a Sérvia, enquanto aliada da Rússia, ficará totalmente isolada nos Balcãs e sem acesso ao Mar Adriático. De resto, é bem possível que a jogada passe pela integração do Kosovo na Albânia.

Outra questão prende-se com a viabilidade de um Kosovo independente. O Kosovo é já um paraíso de traficantes das mais diversas mercadorias (incluindo Humanos) e o seus figurões são homens com ligações ao mesmíssimo terrorismo islamista (recorde-se que o UÇK enquadrou mercenários islâmicos, com o conhecimento da NATO). Isto significa que o Kosovo interessa ao Imperialismo, acima de tudo, e aos criminosos internacionais que dele dependem e com ele cooperam, como os traficantes de armas, droga, Humanos e terroristas internacionais.

O Kosovo representa ainda uma nova contradição para o Imperialismo. A maioria da população Kosovar é muçulmana e mais zeladora dos preceitos religiosos que os Bósnios. O perigo de uma deriva fundamentalista é tão ou mais real que na Turquia, onde apesar de tudo existe um controlo político e judicial muito apertado sobre os islamistas. No caso Kosovar, não nos parece que de futuro vá haver condições para um controlo dessa natureza e se para já não parece haver razões de preocupação, a verdade é que no futuro (com esta coisa das religiões nunca se sabe) poderemos vir a assistir a um Estado Islâmico criado e mantido por Washington e Bruxelas. Confesso que me riria bastante.

Por último, qual a justificação que o Kosovo tem para se separar da Sérvia e que outras regiões, essas sim com legitimidade e justificação, não têm? Falemos de Euskal Herria, dos Países Catalães, do Curdistão, da Córsega, do Sahara Ocidental, da Ossétia ou da Abecássia. Porque é a ETA “terrorista” e o UÇK “heróis”?

Em jeito de balanço, e porque foi isso que me fez escrever este post, ao fim de um ano de separação continua tudo na mesma como a lesma, ou pouco mais ou menos. Dois terços dos membros da ONU não reconhecem a independência da região e, entretanto, já se assistiu a uma guerra no Cáucaso como consequência indirecta desta fantochada. Entrementes a UNMIK por lá continua, mostrando que a viabilidade do Kosovo enquanto nação separada da Sérvia é nula. Quanto à própria Sérvia, acaba por constituir a única “vitória” decente para o Imperialismo. Com o isolamento regional a que está sujeita, vira-se cada vez mais para Bruxelas e é possível que a médio-prazo se candidate a membro da UE.

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1 Comentário

Filed under igor marques, imperialismo, internacional

One response to “Kosovo – um ano de fantochada

  1. Tenho aqui um documentário da BBC – “The death of Yugoslavia” – a ocupar espaço no disco e um livro de Alfonso Rojo – Holocausto nos Balcãs – a enfeitar a estante.
    Tenho que ver se dou uma vista de olhas naquilo porque não sei muito sobre essa zona.
    Ainda assim, boa posta!

    Cumprimentos

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