The ghost of Tom Joad

Há 70 anos atrás, nos EUA, era lançado o histórico romance “As Vinhas da Ira”, de John Steinbeck. Numa época similar à actual, com a maior e mais importante crise do sistema Capitalista a atingir a classe trabalhadora, este livro tornou-se um ícone. Nele acompanhamos a saga da família Joad, pequenos proprietários rurais do Oklahoma que viram as suas terras serem expropriadas pela Banca e que decidem atravessar o sul do país em direcção à Califórnia, à procura de trabalho e de vida.

O livro foi marcante na época, e continua a sê-lo hoje. Foi queimado em público, banido, vilipendiado e alguns dos seus leitores foram perseguidos. E isso basta para fazer dele uma obra mítica.

Ler “As Vinhas da Ira” é um exercício de aprendizagem sobre o que é o Capitalismo e sobre porque razão existe quem se lhe opõe. Pessoalmente, que li a obra duas vezes com alguns anos de intervalo entre ambas, continuo a achar que o momento mais alto do livro, em termos ideológicos, é a queima de um monte de laranjas que não tinham lugar no “mercado” aos olhos de desempregados famintos. A chamada “Grande Depressão”, início do fim do Capitalismo, trouxe-nos este e outros episódios de profundo desprezo pela vida Humana. A actual Depressão irá trazer-nos piores. Esperemos que o fantasma de Tom Joad ande por aí.

Ainda na literatura, mas na nacional, há 100 anos nascia Soeiro Pereira Gomes, nome maior do neo-realismo Português. Autor do livro “Esteiros” (uma espécie de “Vinhas da Ira” da literatura lusa) Soeiro Pereira Gomes marcou assim a sua época e o seu movimento. Militante e dirigente do PCP, que está sedeado na rua Lisboeta com o seu nome, Soeiro foi progressivamente apagado da memória literária Portuguesa por evidentes razões ideológicas, inclusivamente pelo Partido em que militou. Assumir uma postura indefectível de defesa dos interesses operários e revolucionários tem o seu custo. A obra de Soeiro Pereira Gomes paga-o desde a sua morte.

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1 Comentário

Filed under literatura, lutas sociais

One response to “The ghost of Tom Joad

  1. Foi apagado da memória, “inclusivamente pelo Partido em que militou”? Ainda agora foi alvo de um extenso trabalho nas páginas centrais do «Avante!», com a inclusão de um livro que inclui a obra “Contos Vermelhos”. Na próxima Festa do «Avante!» vai ser homenageado.

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