Category Archives: bloco de esquerda

A alegria da previsibilidade

Mais uma vez o Manuel Alegre não surpreende. Não integra as listas do Partido “Socialista” para a Assembleia da República, mas os seus “camaradas” da Corrente de Opinião Socialista lá estarão em sua representação (a votar favoravelmente à esmagadora maioria dos projectos lei do P”S”). Assim a sua imagem ficará intacta, uma ruptura-não-ruptura com o seu partido dá-lhe crédito para continuar a criticar o Governo de José Sócrates (embora ele diga que não o quer fazer), sem nunca por em causa o mesmo. O cada vez mais responsável e social-democrata Bloco de Esquerda já veio elogiar a coerência de Alegre com as suas ideia de “Esquerda”, desta forma ganha uns votos que o símbolo do antigo P”S” detém, apoiando-o numa eventual (?) candidatura do partido do Governo nas presidenciais contra Cavaco Silva.

Na Esquerda não há nenhuma melhor forma de fazer as coisas, tudo se faz como em todo o lado: jogando. E o jogo envolve negociatas de lugares e votos. A mudança de sociedade fica em segundo plano, se é que fica em plano algum.

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A autoridade atrás do umbigo

De vez em quando aparecem coisas que não se sabe de onde vêem. Se são simples movimentos de cidadãos preocupados ou se são uma ideia partidária para servir como plataforma de recrutamento – que tanto jeito dá nesta época de eleições.

Já tinha recebido e-mails sobre isto, mas depois aparece uma notícia no Esquerda.Net, o que permite ver de que lado vem a coisa. Um movimento contra o facto dos carros, nas cidades, pararem em cima dos passeios destinados aos peões. À primeira vista não parece ter nada de mal, faz todo o sentido que os passeios não tenham carros e que estejam livres para a deslocação de peões, nomeadamente dos que têm dificuldades motoras. Mas depois há a assustadora moralidade e autoridade da gente por detrás do Passeio Livre.

A ideia é apelar ao bom senso dos automobilistas colando um autocolante no vidro dos carros mal estacionados, como faz a Polícia Municipal cá em Lisboa quando bloqueia um carro. Falando em polícia, eles afirmam que a “autoridade” compactua com estes criminosos, e que esta tem é de começar a abrir a pestana. Recomendam que as pessoas denunciem os criminosos automobilistas à Polícia Municipal.

Não falam, por exemplo, da inexistência de locais gratuítos de estacionamento em zonas como a Baixa de Lisboa; ou o fraco investimento nos transportes públicos em geral. Isto já pouco interessa, porque não vale a pena prevenir algo quando se pode chamar a autoridade para resolver o problema.

Deixo, por fim, este magnífico parágrafo do movimento, que explica bem a sua falta de utilidade e o seu desejo de se transformarem numa milícia que faça cumprir a lei (com “L” grande, por favor):

Já repararam que há movimentos a favor e contra o aborto, a favor e contra o casamento entre homossexuais, a favor e contra todas e mais algumas mudanças do que está escrito na Lei? Nisso, somos diferentes – o nosso movimento é pelo puro e simples cumprimento da Lei. E nunca ouvimos quem defendesse a mudança da Lei por cujo cumprimento lutamos – a que proibe o estacionamento em cima dos passeios. Do que se queixam é da cola que a nossa acção deixará nos vidros dos carros que transgridem a Lei. E há alguém que, em sã consciência, duvide que a nossa acção só se faz por ausência de quem é pago e instruído para fazer cumprir a Lei?

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Na TVI 24…

…reduz-se a “esquerda” portuguesa ao governo Sócrates, colocando como comentadora mais “à esquerda” de todos os residentes dos três programas de debate uma jornalista conhecida por defender acerrimamente as políticas do primeiro-ministro, de quem também é namorada.

Já em Espinho o mesmo governo Sócrates elegeu o BE como principal adversário, utilizando os pobres diabos da esquerda côr-de-rosa como arma para roubar votos ao PSD. E os tipos agradecem, claro.

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A Convenção do Bloco não interessa para nada, aqui fica a reportagem da grande festa de um partido como os outros

Ali os betinhos do 31 da Armada e a malta do ABC do PPM foram cobrir a Convenção do Bloco de Esquerda. Por outro lado, eu fiz a cobertura da festa do BE na Associação 31 de Janeiro, no Bairro Alto. E cheguei, pois, à mesma conclusão da restante blogosfera: o BE é um partido como os outros.

Soube que ia haver festa e pensei cá para mim: e porque não? Não é que tenha algo melhor para fazer. E lá fui mais uns amigos. E foi catastrófico. Nunca me tinham perguntado tantas vezes numa festa “o que é que tu estás cá a fazer?“, ou então gozado quando ironizavam que “falas tão mal do Bloco, mas estás cá” – como se fosse algo semelhante a um negro numa festa do PNR. Bolas, havia copos e malta de esquerda, tenho que ir para um bar normal? O slogan “Juntar Forças” só serve com quem interessa, como por exemplo um tipo que vale um milhão de votos vale mais que um esquerdista radical descontente.

Depois de umas imperiais a 75 cêntimos e fumar uns cigarros à varanda, lá se vai para a pista de dança. O DJ não estava preparado para músicas de intervenção, não há cá dessas coisas, só 80’s fanhosos e umas misturas engraçadas. Às duas da manhã termina a festa e a malta começa a dispersar, vai-se debatendo política pelas ruas do Bairro Alto e sonha-se com o romantismo da Revolução. Mas acho que sei com quem não contar.

De resto há felicidade estampada nos rostos da malta, estão contentes, não vai houve surpresas na convenção: o Louçã e a sua moção ganharam, a oposição interna é mais residual, apareceram bastante nos telejornais, falou-se de coligações com o Alegre sem se falar em coligações com o Alegre e falou-se mal do Sócrates. A convenção é uma mera formalidade para justificar a existência dos vários cargos que existem.

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