Category Archives: capitalismo

É a crise, estúpido

Os lucros do Banco Comercial Português (BCP) aumentaram para os 106,7 milhões de euros, no primeiro trimestre do ano, superando as estimativas dos analistas.

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poder burguês de base

Meia centena de clientes ocuparam sede do BPP no Porto

Afinal os burguesotes aprenderam alguma coisa com a classe operária. O que se seguirá? Aposto em assembleias plenárias com votações de braço no ar para aprovação das operações bolsistas. E venham daí formações de Sovietes de gestores, investidores  e patrões.

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A pandemia dos porcos…

…é bem capaz de ser uma arma biológica da “Al-Qaeda”. Nem sei como é que o Donald Rumsfeld ainda não se lembrou dessa.

(para quem não sabe o Donald Rumsfeld, ex-Secretário da Defesa do Bush, é o ex-dono e um dos principais accionistas da Gilhead Sciences Inc.,  empresa que desenvolveu e detém a patente do Tamiflu, medicamento usado para combater a “gripe das aves” e que agora poderá ser testado para esta “gripe dos porcos”).

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Pela demissão do Dias Loureiro, criminoso internacional, do Conselho de Estado

Porque o Ali-Babá que está no Palácio de Belém não tem tomates para expulsar criminosos destes de um órgão de soberania da República Portuguesa, temos que ser nós, cidadãos, a pôr ordem nesta República Bananeira.

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Ai agora é que te lembras?

O sentido de oportunidade dos figurões do Capital é espantoso. Depois do Mário Soares ter andado por aí a armar aos cucos, querendo dar a entender que não tem nada que ver com a introdução do liberalismo e a ofensiva Capitalista geral em Portugal, vêm agora estes organismos coordenadores do sistema “emendar a mão”.

Os trabalhadores têm que rejeitar tudo isto.

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Islândia

A crise do Capitalismo quando nasce é para todos. E esta mais do que qualquer outra anterior.

A Islândia, o  país modelo do Capitalismo e que ocupa o primeiro lugar na tabela do Índice de Desenvolvimento Humano – o que acontece desde 2005 -, vive por estes dias uma profunda convulsão social, que levou o primeiro-ministro Geir Haarde  e toda a ala-direita do governo da coligação  Partido da Independência/Aliança Social-Democrata a apresentar a demissão das suas funções. A “Esquerda” está agora encarregue de formar um Governo, minoritário, de coligação entre a Aliança Social-Democrata e o Movimento de Esquerda-Verde. Este novo Executivo assumirá funções meramente transitórias, já que foram convocadas eleições para Maio.

Sem muito para contar no que toca a lutas sociais na Islândia (para termos ideia basta dizer que a polícia de choque não usava gás-lacrimogéneo em manifestações há 60 anos) este fenómeno acaba por ser significativo. Um movimento de massas que tem passado quase despercebido nos media forçou o colapso de um governo e com bastante menos violência do que no caso da Grécia, onde pouco ou nada se tem conseguido. Será isto positivo? Sem dúvidas, mas é preciso abordar com cuidado este caso.

Ao deixar o governo entregue a uma coligação de Centro-Esquerda entre Sociais-Democratas e Verdes até às eleições em Maio, a Burguesia aborda uma táctica defensiva. Cede a uma das exigências políticas das massas populares, retira do governo a parte mais exposta ao descontentamento da população e convoca eleições, deixando a “Esquerda” governar até lá. Com isto consegue acalmar o movimento de protesto e ganhar tempo para preparar a futura coligação de Governo, que provavelmente será entre os Sociais-Democratas e o Partido Progressista, da Direita Liberal. Esta é também uma forma de tentar capitalizar para a Direita Conservadora a insatisfação das massas que não parece que vá diminuir, em função do agravamento da crise do Capitalismo internacional.

A Islândia, por ser uma sociedade quase colegial, é um daqueles países que praticamente não tem qualquer organização revolucionária. No actual movimento de luta têm participado grupos de estudantes mais radicalizados e de alguns operários mais esclarecidos, ligados a pequenas organizações Anarquistas ou ao quase inexistente partido Comunista, a trotskista Liga Comunista. Porém estes elementos revolucionários são pouco mais que anexos ao movimento, impulsionado pelas confederações sindicais do país, a ASÍ e a BSRB, cada uma mais amarela que a outra. Perante este panorama pouco animador para a luta revolucionária, parece surpreendente a “vitória” alcançada pelas massas. Contudo, se analisarmos um pouco a tradição da luta de classes nos países Nórdicos, observamos que não é de todo uma surpresa que um Governo se demita após umas quantas manifestações massivas. Na verdade as organizações de massas como os Sindicatos ou os partidos de Esquerda, no Norte da Europa, têm uma história longa de colaboração com a Burguesia, reflexo de uma cultura social marcada pela tolerância e conciliação. Essa cultura reflecte-se naturalmente nos comportamentos da Burguesia que, sem ceder um milímetro quanto aos seus objectivos de classe, parece ceder kilómetros às pretensões do Trabalho.

Se durante várias décadas teríamos que ter tacto ao partir para a crítica a este reformismo descarado por culpa dos resultados menos maus para os trabalhadores que ele ia conseguindo, nos dias de hoje e no futuro poderemos apontar este inegável defeito como causador da degradação das condições de vida da classe trabalhadora Nórdica.

O caso Islandês, porém, não é tão semelhante assim aos outros países Nórdicos, no que toca a políticas económicas. As privatizações e liberalização do mercado neste país chegaram a um ponto muito superior em relação aos Escandinavos, e prova disso é o próprio gatilho da crise económica nacional, que foi a total subordinação dos bancos Islandeses ao Capital Britânico. Este processo de total restauração Capitalista ocorria já há cerca de duas décadas. Ainda assim, a classe operária não soube ver nisso um problema e não se soube armar correctamente para os confrontos que, inevitavelmente, se iriam seguir. Deixando os seus Sindicatos nas mãos de elementos reformistas, os operários Islandeses (que representam mais de 20% da população nacional) hipotecaram-se, chegando agora a esta encruzilhada. A classe operária e todos os trabalhadores Islandeses são reféns da Burguesia e movimentam-se ao sabor das guerras partidárias desta.

Pode objectar-se a isto o alegado facto de que os trabalhadores Nórdicos no geral, e os Islandeses em particular, não têm organizações verdadeiramente representativas dos seus interesses e ambições, organizações revolucionárias Marxistas-Leninistas, porque nunca delas haviam precisado. Aceite-se. Mas contraponha-se com uma questão: como pode a classe operária, classe revolucionária por definição, defender-se a si mesma quando entrega essa função à pequena-burguesia, classe objectivamente inimiga? Não deveria poder mas o facto é que  aconteceu. Interessa agora inverter a situação. Reactivar urgentemente o Partido Comunista, conferir-lhe uma orientação revolucionária e de vanguarda para que se lance no combate, esta é a imediata  tarefa que toca aos operários Islandeses, para que se desliguem de um quadro político totalmente adverso.

A Europa está a viver uma situação nova. Pela primeira vez na sua História recente existem movimentações de massas em praticamente todos os países, movimentações com o mesmo sentido e objectivo. E quando a primeira “vítima política” desta nova situação é o governo de um país quase idílico como a Islândia, é sinal de que alguma coisa está a nascer.

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Dia Mundial dos despedimentos

De acordo com as notícias de hoje, em todo o Mundo mais de 70 mil trabalhadores ficaram ontem a saber que vão ficar desempregados, devido à “redução de despesas” e à “reestruturação” levada a cabo por várias empresas, algumas delas altamente conceituadas nos seus ramos, como a fabricante Estado-Unidense de maquinaria de construção Caterpillar (com o record de 20.ooo despedimentos) ou o gigante Holandês de electrónica Philips, que pontapeia no traseiro 6.ooo dos seus operários, 70 dos quais em Portugal, fechando assim a sua última fábrica por cá,  sita no concelho de Ovar. O encerramento da unidade irá ocorrer ainda durante este ano.

Trabalhadores de várias outras empresas de renome estão também nesta situação: o mastodonte da indústria automóvel General Motors (mais de 2.000 despedimentos); o terceiro maior operador móvel Estado-Unidense, a Sprint Nextel, contemplou 8.000 almas com uma guia de marcha (equivalentes a uns impressionantes 14% da sua força de trabalho)  e por aí fora, numa lista que engloba ainda empresas do sector financeiro.

Naturalmente, por entre as desculpas do costume da “crise” e da “conjuntura”, lá vamos encontrando algumas migalhas da verdade por detrás do sistema, a verdade denunciada por Marx e continuamente enxovalhada pelos defensores do Capitalismo. Vejamos: de acordo com o comunicado oficial da Caterpillar, a decisão de tirar o sustento a 20.000 dos seus 113.000 trabalhadores tem um carácter preventivo, como forma de poder durante este ano atingir o objectivo de lucro de 2.5 dólares por acção (actualmente está em 1.08 dólares). Isto é, o problema da empresa não está em ter liquidez para remunerar os seus operários, mas sim meramente para atingir uma meta de lucro, lucro esse que irá parar apenas aos bolsos dos seus administradores e accionistas.

Mas há uma agravante em tudo isto: 70.000 desempregados representa um encargo social enorme, e representa mais uma vez que o Liberalismo é a maior farsa da História recente. Estes 70.000 seres-humanos estarão, caso a situação não sofra uma reviravolta, a viver um determinado período de tempo à custa dos subsídios de desemprego garantidos pelos dinheiros públicos, enquanto as empresas que os despediram se “reestruturam”, para quando fôr possível abrirem novamente as suas fábricas aos operários desempregados, retomando assim o ciclo produtivo Capitalista. Ou seja, o Estado mais uma vez paga a incompetência dos Capitalistas, fornecendo-lhes todas as benesses para a sua insasiável busca pela obtenção do máximo lucro.

A situação actual do sistema Capitalista, reflexo da crise endémica de que sofre desde 1929, abre brechas ao mundo do trabalho para enfrentar impiedosamente os exploradores, numa situação como provavelmente nunca se terá visto no passado. Mesmo quando em plena Grande Depressão as secções da Comintern adoptavam a táctica de classe contra classe a situação não era tão favorável a uma luta consequente e encarniçada como poderá vir a ser no futuro. A razão é simples: provou-se, com a situação actual, que o Capitalismo não tem mais para onde evoluir. Os primeiros passos dados em direcção à brutal utopia do laissez-faire, aos quais chamamos neo-liberalismo, provaram que a intervenção do Estado é indispensável à manutenção do sistema, deitando assim por terra as teorias da mão invisível.

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