Category Archives: igor marques

Coisas de que me lembrei esta noite

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Bela-Vista Social Club

Ao contrário do que aconteceu na ocupação da sede do BPP no Porto – onde os ricaços até direito a cafés tiveram – a PSP tem agido em força no Bairro da Bela Vista em Setúbal.

A Bela Vista é mais um dos muitos bairros esquecidos e que constituem, juntamente com o Interior do país, o Portugal profundo. Zonas das quais ninguém se lembra e onde os seus habitantes são gente à parte para as autoridades, sejam elas quais forem. No caso destes bairros “fodidos” só a Polícia se lembra de que existem.

Este caso vem na sequência de mais uma execução de um jovem pela Polícia, Mais uma vez, um tiro na nuca. Mais uma vez a população do bairro do assassinado protesta contra o crime cometido pela PSP. Mais uma vez a Polícia entra com o rei na barriga por ali dentro, gerando protestos legítimos da população. O filme repete-se vezes e vezes sem conta, e as sequelas vão saindo com cada vez mais frequência: Cova da Moura, Quinta da Fonte, Quinta do Mocho, Olaias e muitas mais de que nem fazemos ideia. A questão continua a ser varrida para baixo do tapete por todos, atribuindo as culpas aos “criminosos”, aos “excluídos” e à sua “natureza violenta”.

A extrema-direita e a direita trauliteira acham que tudo não passa de um caso de polícia, usando da demagogia que lhes é inerente e culpando o Ministro da Administração Interna. Pois não é assim. O que se passa aqui é um problema social, um problema de desemprego e de pobreza, a luta de classes no seu estado mais puro nos nossos dias: as camadas mais baixas do proletariado, o lúmpen-proletariado, em pé de guerra contra um sistema que os exclui e humilha diariamente. E, naturalmente, contra a Polícia que os reprime em nome do sistema.

Nesse aspecto, Jerónimo de Sousa pôs hoje o dedo na ferida ao dizer que se podem mobilizar esquadrões de polícia inteiros que não resolvem o problema. É uma realidade, e acrescento que a repressão vai, a médio-longo prazo, piorar o sentimento de revolta destas populações. Os exemplos de França, com as revoltas nos banlieue, devem ser levados em conta. França caminha para uma guerra-civil. Portugal seguir-lhe-à os passos. É bom que assim seja.

Por último, e voltando ao início, é triste ver que ninguém fala na diferença de tratamento dado aos burgueses portuenses do BPP e aos populares da Bela Vista.

Sobre este assunto, ler este excelente texto publicado no 5 dias.

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poder burguês de base

Meia centena de clientes ocuparam sede do BPP no Porto

Afinal os burguesotes aprenderam alguma coisa com a classe operária. O que se seguirá? Aposto em assembleias plenárias com votações de braço no ar para aprovação das operações bolsistas. E venham daí formações de Sovietes de gestores, investidores  e patrões.

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Sempre achei que o Boaventura tinha ares do Molotov

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Pelos vistos a tal história da bufaria dos meninos do PCP era uma jogada de antecipação.

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Anedotas boas no jornal do Governo

Grupo de anarquistas contesta o poder mas com o rosto coberto
por ISALTINA PADRÃO

Pouco mais de meia centena de pessoas juntaram-se no Jardim do Príncipe Real (Lisboa) e desfilaram até à Praça da Figueira. As palavras de protesto foram ditas em ‘slogans’ e panfletos

Com muito para dizer “mas não aos jornalistas”, pouco mais de meia centena de anarquistas, como se autodefiniram, reservaram três horas do seu dia de ontem para dizer “não”. Não ao capitalismo, não ao Estado, não à Igreja, não ao patronato. E, sim à anarquia, sim ao “deixem-nos fazer o que queremos”.

E na tarde de ontem o que quiseram foi concentrarem-se, aos poucos, no Jardim do Príncipe Real, em Lisboa, e desfilar por algumas ruas da cidade até à Praça da Figueira, sempre sob escolta policial.

Na sua maioria jovens, os manifestantes – entre eles, alguns estrangeiros (ouvia-se espanhol, inglês e alemão) – encetaram a marcha de rosto tapado com máscaras e lenços de tonalidades escuras e rodeados de faixas que passavam a mensagem e lhes escondiam a identidade. “Se alguns manifestantes tapam a cara (…), tal sucede devido ao controlo a que nós e, de uma forma cada vez mais generalizada, a sociedade inteira, se vê sujeita por parte das autoridades”, lê-se num dos panfletos distribuídos (forma escolhida para comunicar).

No Rossio, cruzaram-se com sindicalistas, e slogans como “Povo organizado vive sem Estado” subiram de tom, como as faixas, que, a descoberto, deixaram só os olhos.

Original aqui.

Não há muito a dizer. É confrangedora a forma como se escreve nos jornais Portugueses e muito particularmente no do Governo.

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O meu “companheiro Vasco”

Como não sou do tempo do “outro”, este é que me ficou marcado na memória como o verdadeiro Vasco. Vasco Granja faleceu hoje aos 83 anos. E com ele a infância de tantos da minha geração.

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Uma história suja

Vem este post a propósito de um comentário ao anterior. Comentário esse que, dado o conteúdo e escrito por alguém auto-intitulado “autómatos provocadores do bloco no seu melhor”, mostra bem de onde vem e para onde quer ir.

Que fique desde já claro o seguinte: neste blogue não temos nem aceitamos qualquer ligação partidária e não alimentamos guerrinhas deste (baixo) nível entre partidos, particularmente quando falamos de dois partidos ditos “de esquerda”.

Antes porém de passar a uma merecida resposta ao referido post, irei a uma análise, agora mais a frio, dos factos:

Não tenho as menores dúvidas de que tudo não passou de uma provocação orquestrada pelo PS e sua máquina de propaganda, feita com o intuito de limpar a imagem de um candidato ao Parlamento Europeu claramente em queda.

A direcção da CGTP, que organizou a marcha do 1º de Maio, convidou o PS para que enviasse uma delegação ao evento e assim se cumprisse uma formalidade tradicional, isto é, uma simples troca de cumprimentos. A meu ver fez mal. A marcha tinha como objectivo não só assinalar o 123º Dia Mundial dos Trabalhadores mas também, e com toda a razão, protestar uma vez mais contra a política de direita deste governo PS. Mesmo tratando-se de uma mera formalidade protocolar e tradicional, parece-me quase uma traição a todos os trabalhadores. É colocar a imagem à frente da vida dos trabalhadores que supostamente defende e representa.

Contudo a organização da marcha, muito razoavelmente, agendou esse acto formal para o Rossio e não para a praça do Martim Moniz onde se iniciaria a marcha do 1º de Maio e onde estariam milhares de homens e mulheres descontentes com o governo PS. Havia concerteza a consciência de que as coisas poderiam “dar para o torto” e foi decidido um “campo neutro” para a troca de cumprimentos. Porém, à última hora, alguém trocou os locais e a delegação do PS acabou mesmo por ir ao Martim Moniz.  Não sei de quem é a responsabilidade, mas não me parece que a CGTP, até pelas reacções posteriores aos acontecimentos, o fizesse.

Claro que a suposição sobre este pormenor não chega para acusar o PS de provocação. Mas vejamos como respondeu o PS ao convite da CGTP: enviou uma delegação encabeçada pelo seu cabeça de lista às eleições Europeias, aproveitando assim para fazer campanha eleitoral, algo que eu considero lamentável por razões que me parecem evidentes. Mas mais: o indivíduo que encabeçou a delegação do PS, para além de não ser militante desse partido (o que desmonta a ideia de cordialidade e inocência do PS), tem sido uma das mais ferozes vozes contra a CGTP nos últimos 4 anos e um dos mais acérrimos defensores das decisões do governo PS (as mesmas contra as quais milhares de pessoas se estavam manifestando naquele lugar). As suas intervenções na comunicação dita social e no seu blogue não deixam margem para dúvidas. Para piorar, Vital Moreira –  sem dúvidas um dos mais experientes políticos portugueses no activo – sabia bem onde se ia meter. Foi militante do PCP durante vários anos e participou em inúmeras iniciativas daquela natureza.

Já depois dos incidentes a reacção do PS, pela voz do impossível Canas, diz tudo sobre o assunto. O aproveitamento político deste caso é de uma natureza tão baixa que nem me merece comentários. O mesmo posso dizer sobre as palavras do próprio Vital Moreira, mas aí dou o desconto de quem passou por momentos…apertados.

A tara do PS pelas provocações é histórica: basta recordar o 1º de Maio de 1975 em Lisboa ou a ida de Mário Soares à Marinha Grande na campanha para as Presidenciais de 1986. E com a actual direcção desse partido, só se admira quem quer.

Não condeno de forma nenhuma o que se passou. A reacção das pessoas foi a normal ante tal baixeza e ante tais políticas. Só tenho pena de uma coisa: que tendo ficado com a fama, os manifestantes não tenham tido o proveito.

Posta de parte esta questão passemos então ao comentário que motivou este post.

O tipo de discurso apresentado pelo autor reveste-se desde logo de alguma contradição: desvaloriza (e com razão) os incidentes colocando aspas quando fala em “agressões” mas ao mesmo tempo parece admitir que de facto elas existiram. Mas não é isto que me parece importante.

Quem quer que tenha escrito aquele comentário teve dois motivos para o fazer.

Primeiro acusar o BE e seus militantes de também terem participado nos apupos e, pior, de “conluio” com o PS, querendo passar a mensagem de que foi o BE quem instigou os manifestantes a apuparem Vital Moreira, entrando assim como segunda parte da provocação orquestrada pelo PS. Desta forma limpa-se a imagem do PCP e ainda alguma da possível frustração por ter alinhado inconscientemente na jogada do governo.

O segundo motivo parece ser a delacção pura e simples de um cidadão que participou dos apupos à delegação do PS.

Se houve militantes do BE a apupar Vital Moreira? Possívelmente houve, como concerteza também os houve do PCP ou simples apartidários, cidadãos anónimos e descontentes com o PS e seu governo. Mas, por mero acaso, nas imagens que vi na reportagem da TVI24, uma das pessoas que mais perto se chega de Vital Moreira a insultá-lo é alguém que eu conheço pessoalmente e é militante do PCP.

Quero com isto dizer que vejo com bons olhos que tenha havido militantes do BE a insultar Vital Moreira. Prova que, ao contrário do que eu pensava, ainda há Bloquistas que se afastam da linha pró-PS que a direcção daquele partido tem seguido.

Se a reacção do BE foi triste e alinhou na crucificação pública do PCP? Foi, sem margens para dúvidas. Mostra o total alheamento da cúpula do BE em relação à classe trabalhadora e comprova, uma vez mais, o alinhamento estratégico com o PS.

Compreendo que as pessoas próximas do PCP se sintam frustradas com o BE neste caso. Mas não posso aceitar que se use essa frustração para actos de bufaria. À moda antiga.

ADENDA: após deliberação do Colectivo da Conspiração dos Iguais, o comentário em causa foi retirado, por razões que se prendem com a protecção da pessoa visada. A ele ficam as minhas desculpas pela demora na retirada.

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