Category Archives: nacional

O que irão fazer a seguir?

A dúvida é se a PSP conseguirá controlar a situação apenas pela força.

Tendo em conta que esta situação começou com mais um jovem ter sido abatido a tiro (na nuca, essa parte do corpo tem um íman para balas a metros de distância), o que vão tentar fazer a seguir? Vamos todos pensar que é natural que existam bairros sociais, pessoas postas de parte naqueles aglomerados, pobreza extrema e assassinatos de pessoas em fuga, quer tenham cometido um assalto ou não. É que se eu pensar que isto tudo é natural, tolerável e simpático acho que não há mais nada a fazer e estaria a falar de futebol.

Aí teria tempo para pensar nisso.

Anúncios

2 comentários

Filed under luta de classes, lutas sociais, nacional, polícia, racismo e xenofobia, youri

Bela-Vista Social Club

Ao contrário do que aconteceu na ocupação da sede do BPP no Porto – onde os ricaços até direito a cafés tiveram – a PSP tem agido em força no Bairro da Bela Vista em Setúbal.

A Bela Vista é mais um dos muitos bairros esquecidos e que constituem, juntamente com o Interior do país, o Portugal profundo. Zonas das quais ninguém se lembra e onde os seus habitantes são gente à parte para as autoridades, sejam elas quais forem. No caso destes bairros “fodidos” só a Polícia se lembra de que existem.

Este caso vem na sequência de mais uma execução de um jovem pela Polícia, Mais uma vez, um tiro na nuca. Mais uma vez a população do bairro do assassinado protesta contra o crime cometido pela PSP. Mais uma vez a Polícia entra com o rei na barriga por ali dentro, gerando protestos legítimos da população. O filme repete-se vezes e vezes sem conta, e as sequelas vão saindo com cada vez mais frequência: Cova da Moura, Quinta da Fonte, Quinta do Mocho, Olaias e muitas mais de que nem fazemos ideia. A questão continua a ser varrida para baixo do tapete por todos, atribuindo as culpas aos “criminosos”, aos “excluídos” e à sua “natureza violenta”.

A extrema-direita e a direita trauliteira acham que tudo não passa de um caso de polícia, usando da demagogia que lhes é inerente e culpando o Ministro da Administração Interna. Pois não é assim. O que se passa aqui é um problema social, um problema de desemprego e de pobreza, a luta de classes no seu estado mais puro nos nossos dias: as camadas mais baixas do proletariado, o lúmpen-proletariado, em pé de guerra contra um sistema que os exclui e humilha diariamente. E, naturalmente, contra a Polícia que os reprime em nome do sistema.

Nesse aspecto, Jerónimo de Sousa pôs hoje o dedo na ferida ao dizer que se podem mobilizar esquadrões de polícia inteiros que não resolvem o problema. É uma realidade, e acrescento que a repressão vai, a médio-longo prazo, piorar o sentimento de revolta destas populações. Os exemplos de França, com as revoltas nos banlieue, devem ser levados em conta. França caminha para uma guerra-civil. Portugal seguir-lhe-à os passos. É bom que assim seja.

Por último, e voltando ao início, é triste ver que ninguém fala na diferença de tratamento dado aos burgueses portuenses do BPP e aos populares da Bela Vista.

Sobre este assunto, ler este excelente texto publicado no 5 dias.

10 comentários

Filed under igor marques, luta de classes, nacional, polícia

Isto também deve ser tradição

147 casos de coma alcoólico na Queima das Fitas de Coimbra. Hospital da Universidade Coimbra diz que o número é “normal” comparativamente aos outros anos.

Ainda me pergunto como acham esta inventada pseudo-tradição fascista uma coisa divertida, com bons valores (seja lá o que isso for), de fraternidade e de acolhimento? Há pouca coisa que abomino mais do que praxe académica.

3 comentários

Filed under nacional, nazi-fascismo, praxe, youri

poder burguês de base

Meia centena de clientes ocuparam sede do BPP no Porto

Afinal os burguesotes aprenderam alguma coisa com a classe operária. O que se seguirá? Aposto em assembleias plenárias com votações de braço no ar para aprovação das operações bolsistas. E venham daí formações de Sovietes de gestores, investidores  e patrões.

3 comentários

Filed under capitalismo, igor marques, nacional

Sempre achei que o Boaventura tinha ares do Molotov

yezhov-alt1

Pelos vistos a tal história da bufaria dos meninos do PCP era uma jogada de antecipação.

1 Comentário

Filed under be, igor marques, nacional

Anedotas boas no jornal do Governo

Grupo de anarquistas contesta o poder mas com o rosto coberto
por ISALTINA PADRÃO

Pouco mais de meia centena de pessoas juntaram-se no Jardim do Príncipe Real (Lisboa) e desfilaram até à Praça da Figueira. As palavras de protesto foram ditas em ‘slogans’ e panfletos

Com muito para dizer “mas não aos jornalistas”, pouco mais de meia centena de anarquistas, como se autodefiniram, reservaram três horas do seu dia de ontem para dizer “não”. Não ao capitalismo, não ao Estado, não à Igreja, não ao patronato. E, sim à anarquia, sim ao “deixem-nos fazer o que queremos”.

E na tarde de ontem o que quiseram foi concentrarem-se, aos poucos, no Jardim do Príncipe Real, em Lisboa, e desfilar por algumas ruas da cidade até à Praça da Figueira, sempre sob escolta policial.

Na sua maioria jovens, os manifestantes – entre eles, alguns estrangeiros (ouvia-se espanhol, inglês e alemão) – encetaram a marcha de rosto tapado com máscaras e lenços de tonalidades escuras e rodeados de faixas que passavam a mensagem e lhes escondiam a identidade. “Se alguns manifestantes tapam a cara (…), tal sucede devido ao controlo a que nós e, de uma forma cada vez mais generalizada, a sociedade inteira, se vê sujeita por parte das autoridades”, lê-se num dos panfletos distribuídos (forma escolhida para comunicar).

No Rossio, cruzaram-se com sindicalistas, e slogans como “Povo organizado vive sem Estado” subiram de tom, como as faixas, que, a descoberto, deixaram só os olhos.

Original aqui.

Não há muito a dizer. É confrangedora a forma como se escreve nos jornais Portugueses e muito particularmente no do Governo.

3 comentários

Filed under empresas de comunicação, igor marques, lutas sociais, nacional

O meu “companheiro Vasco”

Como não sou do tempo do “outro”, este é que me ficou marcado na memória como o verdadeiro Vasco. Vasco Granja faleceu hoje aos 83 anos. E com ele a infância de tantos da minha geração.

Deixe um comentário

Filed under igor marques, nacional